Anorexia? Bulimia? Compulsão alimentar? – Não, eu só tenho Diabetes

Anorexia? Bulimia? Compulsão alimentar? – Não, eu só tenho Diabetes


Pensando no texto de hoje, encontrei alguns artigos que abordam  a relação do transtorno alimentar em pacientes diabéticos. Essa associação me fez questionar a relevância das informações transmitidas na sociedade, informações essas ainda muito pouco difundidas, mas comprova o quanto é importante pessoas, como o Pablo, Daniel e seus seguidores continuarem nessa luta, oferecendo mais informações, orientações e apoio. É ao obtermos consciência de uma coisa (quando sabemos sobre algo) nos tornamos conscientes das nossas escolhas e de suas consequências e a partir dessa consciência nos transformamos em seres de mudança.

Pois bem! – Começarei explicando o que são transtornos alimentares, para que sua leitura fique mais fácil e para que a informação seja melhor absorvida.

Transtorno Alimentar (TA) conceituado como um padrão de comportamentos alimentares que causam severos prejuízos à saúde de um indivíduo. Nesta categoria encontramos a ANOREXIA, BULIMIA e a COMPULSÃO ALIMENTAR PERIÓDICA. Possivelmente vocês já ouviram sobre essas disfunções alimentares em algum momento da vida.

Anorexia Nervosa – Transtorno caracterizado pela perda de peso induzida e/ou mantida pelo paciente. O transtorno é associado a desnutrição, resultando em alterações metabólicas e endócrinas e perturbações de função corporal.

Bulimia Nervosa – É uma síndrome caracterizada por repetidos ataques de hiperfagia (ingesta de grandes quantidades de comida) e uma excessiva preocupação com o peso corporal, levando o paciente a adotar medidas extremas, a fim de minimizar os efeitos da ingestão de alimentos. (Ex: vômitos induzidos, uso de laxantes, diuréticos, entre outros).

Compulsão Alimentar Periódica – É uma atitude alimentar caracterizada pela ocorrência de episódios de comer grandes quantidades de comida em intervalos curtos de tempo, sensação de perda de controle sobre o ato de comer e, em seguida, arrependimento de ter comido.

Ao ler os artigos fiquei perplexa com a associação destas informações à realidade dos diabéticos no Brasil, uma grande parte da população pode ter esse diagnóstico associado, mas por falta de informação ou acompanhamento não são diagnosticados corretamente, ou ainda, tardiamente. E em outros casos, esse possível diagnóstico não é aceito ou entendido pelo paciente o que interfere ainda mais nas medidas a serem tomadas para melhora do quadro clínico.

 No trabalho desenvolvido recentemente por Jones et al. foram observadas 361 jovens diabéticas tipo 1 e 1.114 adolescentes sem diabetes. 10% dos jovens diabéticos apresentaram ou tinham diagnóstico de algum tipo de transtorno alimentar. Outros materiais apontam prevalência de transtorno alimentar em diabéticos tipo 1 e 2, onde 27% dos adolescentes com DM tipo 1 confessam utilizar práticas purgativas (laxantes, vômitos provocados, etc.); 24% restringem a alimentação para a perca de peso. E também fica evidenciado que pacientes diabéticos adotam comportamentos como a omissão do uso de insulina ou redução da dose para a promoção de perda de peso, atingindo 15%.

A própria Diabetes pode desenvolver uma preocupação exagerada com a dieta, classificando alimentos e comportamentos de saúde. A partir daí o que acham de refletirem sobre a rotina alimentar e os hábitos adotadas para o equilíbrio e controle da sua taxa glicêmica, e para o controle do seu peso?

As causas do Transtorno Alimentar envolvem múltiplos fatores. Destacam-se:

  • Histórico de transtorno alimentar na família
  • Histórico de Depressão na família
  • Histórico de Transtorno Bipolar
  • Famílias autoritárias (anorexia) ou negligentes (bulimia)
  • Contexto sociocultural caracterizado pela extrema valorização do corpo magro
  • Disfunções no metabolismo da serotonina e noradrenalina
  • Experiência sexual traumática
  • Certos traços de personalidade (Baixa autoestima, Introversão, Perfeccionismo (Anorexia), Impulsividade (Bulimia), Instabilidade afetiva, evitativo, ansioso.

Mães com anorexia tem 75%-80% de chance de transferirem a anorexia para um ou mais filhos e mães com bulimia tem 45% a 55%.

No caso da Diabetes associado ao Transtorno Alimentar, a restrição dietética desempenha um papel importante na expressão dos comportamentos alimentares que por vezes são inadequados. Essa restrição alimentar é um tratamento convencional do Diabetes, onde o paciente se vê obrigado a voltar sua atenção ao peso e no esquema alimentar, seguindo uma certa rigidez. Esse controle exagerado, a relação que o paciente adota com essas modificações de hábitos, ou ainda a fase da vida em que o paciente se encontra são aspectos a serem relevados para a predominância de uma comorbidade  psiquiátrica, como é o TA.

Como já descrito em outros textos a relação entre a Diabetes e as alterações psicológicas pode ser responsável pelo controle metabólico insatisfatório, aumentando as complicações desta doença e em alguns casos chegando à óbito.

O diagnóstico não é fácil, mas quando percebido alterações no comportamento alimentar se faz muito importante um acompanhamento médico especializado, com indicação de remédios que possam alterar o padrão alimentar;  apoio psicológico (psicoterapia) e nutricional.

Previna-se! Cuide-se! Ame-se! VIVA! A escolha está nas suas mãos.

Fonte:    http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462002000700017

                https://pt.wikipedia.org/wiki/Transtorno_alimentar

               http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=95

 


Marcella Sandim Perfil

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