Sarah Luiza em: Aprendendo a ser forte

Sarah Luiza em: Aprendendo a ser forte


Vamos a mais uma narrativa emocionante escrita pela mãe Adriana Viana. A história da sua linda e vencedora filha Sarah Luiza.

No início do mês de Maio de 2014, aos 8 anos de idade a minha princesinha apresentou uma enorme mudança de comportamento.

Ela começou a sentir mais fome que de costume, passando a alimentar mais vezes e em maior quantidade. Além disso sentia mais sede e urinava inúmeras vezes. Para uma mãe que simplesmente desconhecia os sintomas iniciais do diabetes, pensei que tudo isso tivesse mais ligado ao desenvolvimento corporal, coisas da idade.

Apesar de alimentar muito, não ganhava peso; pelo contrário, seu rostinho e seu corpinho não pareciam receber tudo que comia.

Depois de alguns dias, veio uma “chata” rinite alérgica que começou a me alertar, mas não ainda da forma correta. Tão logo veio a dificuldade para respirar, comecei a dar os antialérgicos habituais. No entanto, daquela vez foi diferente, a minha princesinha parecia mais sensível aos medicamentos, ficou mais sonolenta e cansadinha.

A partir desse dia não teve condições de ir para a escola. No dia 15, mais antialérgico…. No dia 16 também, e nada de acabar com aquela crise de rinite. No dia 17, decidi suspender o remédio, pois desde o início do mês fazia planos para a festa de aniversário da coleguinha. Chegou a noite…. a caminho da tão esperada festa de aniversário ela encostou no carro como quem quisesse descansar. Achei estranho, conversei com ela, mas me disse que tudo estava bem.

Chegando lá, brincou um pouco e logo logo já não teve forças para continuar. Então, chegou até mim dizendo que estava muito cansada. Quando os amigos perceberam, foram até ela oferecendo docinhos, mas ela simplesmente abria e novamente fechava os olhinhos, não demonstrando nenhum interesse.

Foi aí que percebi que aquilo ia muito além de uma rinite alérgica. Eu e meu marido fomos então para o PS da cidade, onde ficamos por mais de 3 horas sem atendimento. Impacientes, fomos para a cidade vizinha. Chegamos lá quase meia noite. O médico decidiu interná-la com suspeita de pneumonia. No dia seguinte, pela manhã fez os exames: raio x, sangue e urina. Ao meio dia, outro médico viu os exames e liberou, dizendo se tratar de uma infecção de urina. Medicou e voltamos para a nossa cidade.

De certa forma eu estava mais tranqüila, pois agora já sabia o que estava acontecendo. Engano meu…. Minha pequena Sarah, apesar de medicada continuava apresentando os mesmos sintomas e cada vez mais intensificados.

Então no dia 20 de maio, cheguei em casa ao meio dia e ela estava dormindo. Acordei para que pudesse almoçar, mas me disse que não sentia fome. Acabei me descontrolando, chorei….me vendo assim, secou minhas lágrimas e almoçou.

Tirei forças nem sei de onde e levei para o consultório de sua pediatra. Expliquei tudo. Examinou, pediu que a levasse ao Hospital da cidade para que fosse feita uma lavagem intestinal. Enquanto anotava tudo, procurou em sua bolsa algo praticamente desconhecido para mim, “um glicosímetro “. Mas ele não estava ali. Então me disse que no Hospital deveriam também medir a glicemia e queria que o resultado fosse comunicado para ela de imediato.

Fomos para o Hospital. Fizeram a lavagem e a dextro. A enfermeira conversou com a pediatra e pediu que eu voltasse para o consultório. Resultado “440”. No consultório ela começou a me explicar, falou que iria interná-la. Foi então que a minha pequena guerreira encontrou forças para gritar e chorar. A partir daí descobrimos que naquele exame de urina onde o médico talvez não tivesse dado tanta atenção para aqueles “cetonas++++”, estaria a resposta. Tudo feito muito rápido. Médicos ligando aparelhos e fazendo exames que doíam muito mais em mim. O hálito doce… a insulina no soro e eu sem entender quase nada pensava apenas que aquilo tudo era apenas um sonho ruim e que passaria logo.

No dia seguinte, novos exames. Os dedinhos sendo furados várias vezes ao dia, seguido pelas aplicações de insulina; a médica me dizendo que por pouco iria levá-la direto para a uti (devido a cetoacidose e desidratação), enfim tudo muito “estranho” para mim. E eu que estava ali para ajudá-la a ser forte, não conseguia….. só chorava. Era justamente o contrário que acontecia. Ela fazia carinho em meu rosto e dizia que tudo ficaria bem; sem entender meu choro, me consolava.

E foi naquele dia que descobri que aquele anjinho que Deus me deu não veio apenas para colorir e iluminar a minha vida. Veio também para me mostrar que sempre posso um pouco mais, que por ela posso ir além de meus limites. Descobri também que a vida é cheia de antagonismos. Que aquilo que pode matá -la, pode também salvá -la: o açúcar.

Além de tudo isso, ela tem me mostrado a cada dia que por detrás daquela aparência de anjo e aparente fragilidade do seu corpinho de criança, esconde simplesmente uma força que não tem tamanho. E foi mais ou menos assim que descobrimos o diabetes em sua vida. E foi também assim, que juntas, descobrimos que Ele é realmente o “Deus do impossível “.


Sarah Luiz Diabetes 2

Digo que isso é acima de tudo a lição de vida da minha pequena guerreira, que se adaptou de forma brilhante a essa nova vida. Sou fã incondicional da minha filha, que me mostra todos os dias que nunca devemos complicar nada. Devemos sim, ser FELIZES