Maldição ou Bênção?

Maldição ou Bênção?


Ontem foi um dia que posso considerar que fui do céu ao inferno.

Quando abordamos esta relação bom, ruim, bem e mal, sempre surge uma polêmica. Se isso é acrescido da palavra diabetes então, lá vem muita história.

Bom, ontem foi um dia de tomada de decisões no meu tratamento e sobre isso tenham certeza que em breve terei o prazer de compartilhar com vocês.

Essa parte acima seria o que defino de “Bênção”, porém nem tudo nesta doce vida são flores e falemos portanto da “Maldição”.

Por opção, resolvi que o Eu e a Bete seria o meu diário público do meu relacionamento com o diabetes, mas com o passar do tempo com este trabalho, percebi que optei seguir por uma leitura positiva e motivacional ao tratar sobre o assunto.

Porém, este blog não é elaborado por um robô e sim pelo Pablo, que nutre sentimentos diversos e tem dias de verdadeira fúria diabética.

Ontem, depois de um longo tempo foi um dia desses. Geralmente não sobra pra vocês este tipo de visão da história, mas sim para a minha insulina do amor, meu grande pilar, minha esposa.

E realmente não queiram saber o que é um momento de lamento meu com a doença. Ah sim, queiram saber. É uma verdadeira maldição! Daquelas que posso desejar, pensar e imaginar tudo de ruim acerca, neste momento, desta “maldita” doença.

Saio de mim, lamento, me enfureço e desejo com todas as forças acreditar que isto não passa de um pesadelo.

Afinal, não gostaria de ter sido premiado aos 26 anos pela ausência total de insulina e desaparecimento por longa data do meu pâncreas.

Então esfrio a cabeça, choro (afinal homens choram e tem sentimentos), vou para o colo da minha mulher e num estalo volto ao normal, encarando os fatos, refazendo o curativo das cicatrizes sobre o diabetes e pensando que existem coisas piores nas quais eu poderia ter sido “presenteado”.

Bem, onde quero chegar com isso? Neste desabafo, não quero dizer que neste universo você é o mocinho por que pensa 24 horas por dia de forma positiva sobre a doença ou um grande vilão por achar que essa é uma doença maldita.

Ora, somos farinha do mesmo saco de açúcar e nem eu, você ou qualquer um tem história melhor sobre esta situação.

Aliás, acho que temos muitos histórias a serem colocados em uma única enciclopédia sobre o diabetes.

Eu, Pablo, não quero vender a imagem que ter diabetes foi uma bênção, mas que sim, posso dizer que sou abençoado

por ter acesso a um mundo de possibilidades para que esta minha vida com o diabetes não venha ser maldita.

Palavras são fortes, histórias são eternas e não quero estar do lado do mocinho ou do vilão de blogs sobre diabetes, apenas quero seguir aqui, feliz, triste, junto, misturado, mas de algum modo me unindo e sendo feliz como verdadeiramente sou na maior parte do tempo.

O diabetes pode ser bênção ou maldição, eu todos os dias faço a minha escolha, mesmo sendo difícil, mas ergo a cabeça, sigo em frente e escrevo mais um dia da minha história. Que venham muitos capítulos!

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