Cada herói tem sua arma. Eu tenho minhas insulinas! | Renata Figueiredo

Cada herói tem sua arma. Eu tenho minhas insulinas! | Renata Figueiredo


Cada herói tem sua arma, eu tenho minhas insulinas por Renatinha Figueiredo

Sou seguidora da página “Eu e a Bete”, e sempre compartilho mensagens de motivação, estímulo, e experiências com a nossa Bete! Hoje vou contar minha história…

Há várias pessoas no mundo que dizem ter o diabetes tipo 1 emocional, e há outras que dizem que essa causa não existe… No meu caso, hereditariedade ficou um tanto longe, pois minha bisavó tinha (mas não deixa de se ligar a genética).

Na época eu tinha 9 anos, sou Dm1 há 13 anos, era muito mimada, do jeito que sou até hoje rs, comecei com aqueles sintomas típicos: muita fome, perda de peso, bebia muita água, fazia muito xixi, necessitei até do uso de fralda (me sentia péssima), eu não conseguia nem mais segurar.

Chegava da escola e sempre dizia a minha mãe: quase que não consigo chegar aqui. Ela apenas me dava aquele grande prato de comida e eu ficava bem.

Minha vida se resumia (agora que eu entendo), em hipoglicemia seguida de hiperglicemia! Nessa época, as pessoas não tinham o conhecimento de que havia crianças com Diabetes, apenas idosos. Para todos, eu apenas estava tentando chamar à atenção. Mas não! Eu fui a um posto de saúde, disse os sintomas, e na hora fizeram o HGT… Nem mediu, estava HI, até então, com 9 anos eu não entendia nada! Meu médico que me tratou por mais de 10 anos, me deu uma apostila enorme falando sobre tudo, eu até li, mas pareciam letras gregas.  Mas o que eu sabia era que tinha que tomar uma injeção com um líquido que meu corpo necessitava, porém não produzia! Ótimo, vamos fazer isso.

Mas não, eu achava que em 2 meses ia sarar, e não sarava. Foram 2 semanas, 2 meses, 2 anos, e nada. Eu fui criando uma consciência que aquilo era pra sempre, e aquilo me assustava e me revoltava de uma forma que só eu entendia.

Começando pelas experiências de criança, você é apenas uma criança! Eu ia na escola e levava minha coisas diet e ruins… E me ofereciam balas, e aquelas coisas maravilhosas e diziam: você quer? Eu só olhava e eles mesmos já respondiam – Ah esqueci, você é diabética! Poxa, isso cortava meu coração, ser diferente das crianças do mundo.

Fora minhas amigas, que tinham que se adaptar às minhas crises! Uma vez, eu estava brincando com uma amiga, e comecei a cair no chão, (com hipoglicemia), ela achou que eu estava brincando, até a hora que cai e ralei a testa… Ela e mais uma, me levaram pra casa nos braços, e minha mãe me levou ao médico. Hipoglicemia fortíssima!!!

Fora quando convulsionei, glicemia chegou a zero! Meu irmão achou que eu estava brincando, e eu quase morri… E assim foi a minha vida e da minha família, até nos acostumarmos e aceitarmos tudo como tinha de ser… Era da casa pro hospital, e do hospital pra casa, e até pra UTI com a famosa e assustadora cetoacidose!

Hoje, fazendo quase 14 anos diabética, entendo quase tudo, estou aceitando e me dando cada dia melhor com a Diabetes. O lado emocional pesa muito, mesmo diante de tantas patologias que levam a óbito no mundo, que não se adaptam com tratamento, nossa Diabetes nos consome numa luta diária imensa, somos tão guerreiros, temos uma arma incrível que é a Insulina, ela salva nossas vidas graças a Deus!!!

Agradeço sempre por existir essa possibilidade de vida! Agradeço hoje, entendendo, convivendo, e tendo mais experiências, por tê-la! Eu amo as limitações que tenho. Amo o tipo de alimentação que faço. Complicado ter tantas regras, ser Diabético é ser lutador constante, onde a batalha não terá fim, até que Deus prove o contrário.

Ser diabético é não ter férias. Ser diabético é ter uma esperança e uma fé tão grande, mas tão grande, que chega a ser infinita. Ter uma vontade imensa de viver, pra ser uma prova viva que a cura e milagres existem!

Desejo glicemias cotidianas abaixo de 100mg/dl pra todos os docinhos desse universo! E que nada nesse mundo tire a nossa vontade de lutar e viver com nossas limitações.

Que nossa vida seja doce, mas que não passe de 150mg/dl… E que Deus nos dê a cura que tanto almejamos