Passagem da vida

Passagem da vida


As vezes fico pensando se o diabetes é uma passagem aérea que me deram de presente com destino a morte, sem data de embarque, apenas com esse destino traçado e sem escalas.

Todos os dias, a única forma na qual vejo que consigo me livrar de arrumar as malas pra isso é medindo a glicose, fazendo exercícios, contando carboidratos e uma série de coisas que julgo, serem mais árduas que desfazer as malas após um longo período de férias.

Então, com o diabetes e os afazeres diários que necessito fazer, provo para a vida, a agência que comprou esse vôo, que estou ocupado demais pra pensar nesta viagem.

E todas as vezes, nas quais, vejo alguém partindo para esse destino, o medo bate, a tristeza dá lugar a alegria e o sinal de alerta que a distância entre o início e o fim, pode estar em um portão de embarque me vem a cabeça.

Não sei por quanto tempo a vida me dará ferramentas pra fugir disso, mas pra essa roteiro sem volta eu não desejo estar agora, mesmo sabendo que esse é o último destino de todos nós.

Bem, antes do último check-in, existem muitos outros que quero realizar e farei de tudo para que o último carimbo no meu passaporte, não seja efetuado pelo diabetes.

Amo a vida e por querer tanto ela, continuo persistindo em seguir em frente com os todos desafios da Bete que me cercam.

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