Sem açúcar e com afeto

Sem açúcar e com afeto


Por: Debora Leite

“Desabafo: Meu nome é Debora Leite, e no dia 5 de maio de 2015, a minha saga começou. Após muitos comentários excessivamente admirados, que diga-se de passagem só me causavam tristeza, acerca de meu “novo manequim”, 5kg mais magra, resolvi ir ao médico.

Havia algo errado, aquela sede que não passava e as excreções contínuas começavam a interromper e ganhar espaço em minha rotina.

Após uma série de exames e uma longa conversa com a endocrinologista, não havia dúvidas; fui diagnosticada como diabética tipo 1 e desde então minha vida ganhou uma nova razão: Lutar diariamente para me manter em equilíbrio.

Minha paixão por doces teve de ser esquecida. Os aniversários e encontros felizes para mim tornaram-se momentos reflexivos e existencialmente questionados. As dolorosas furadas nos dedos tornaram-se frequentes e os olhares curiosos em meio a ambientes sociais onde eu precisei aplicar a insulina em público mais ainda. Aceitar foi a parte mais difícil e suportar o peso da culpa a cada crise de hiperglicemia também.

Passada a fase de aprender a usar todos aqueles aparelhos e regrar horários e alimentação, cheguei a um ponto que a preocupação tornou-se manter-me de pé, pois as taxas despencavam sem que eu esperasse e então começaram os meus tremores, tonturas e noites de aflição repletas de pesadelos e delírios. Meus dias tinham menos vitalidade e eu começava a viver com a metade de minha capacidade.

Nunca gostei de abrir minha vida pessoal para as pessoas, mas se tem alguém que passou pelo mesmo problema esse relato pode confortar um pouco mais. Posso assegurar que após esse conturbado início, hoje minha vida tem um adocicado diferente e eu lanço um outro olhar para meus caminhos.

Não tenho mais tempo para mais nada que não seja minha felicidade. Pode até ser que isso soe egoísta, mas hoje eu ressignifiquei minha vida. Necessito de agulhas e insulinas para sobreviver, não sei mais o que é a liberdade de andar com as mãos vazias. Nunca poderei dizer que venci a diabetes, ela será minha inimiga que definitivamente terei que conviver e morrer com ela em uma relação de boa vizinhança.

Aprendi ao invés de perguntar “Por que eu? passar a indagar: “Por que não eu?”. Sempre lembro de pessoas que de longe precisam de muito mais força e que são muito mais lutadoras diante de situações bem piores que a minha, para elas dedico toda a minha admiração e as minhas orações.

Agradeço aos meus anjos da guarda que estiveram pacientemente comigo. Deus sabe o tempo certo e as pessoas certas para colocar em nossas vidas, sem eles seria impossível de carregar o fardo. Assim termino meu relato dessa nova vida.”

1 Comentário

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    Marcela

    Bom dia, minha filha tem diabetes tipo 1 desde 1 ano e 3 meses, já passou por muitas complicações iguais a de seu relato, mas temos que ter muita fé em Deus e esperar no senhor. pois só ele sabe até quando iremos aguentar todo este sofrimento. Hoje minha filha tem 12 anos de idade graças à Deus e irá viver por muitos anos.

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