Ter diabetes não é ser doente

Ter diabetes não é ser doente


Se eu pudesse escolher eu não teria uma doença, mas o que eu posso falar pra você é que não me sinto doente.

Como é acordar todos os dias tendo uma doença crônica? Chato pra caramba!
Primeira coisa que vem a cabeça ao acordar? Medir a glicemia.
Segunda coisa? Se estiver entrando em hipo, preciso comer. Se ela estiver alta, corrigir e se estiver sob controle, sorrir e começar o dia.

E enfim, todo o decorrer do meu dia não é intimamente dependente do diabetes, mas preciso olhar para a Bete com carinho, para que justamente ela, não atrapalhe todo o meu planejamento.

Ter diabetes realmente não é algo que você possa estufar o peito com orgulho e falar para os quatro ventos: “Puxa como eu sou feliz pelo diabetes ter acontecido em minha vida!”

O Pablo desconstruindo o lado positivo do diabetes?! Sim, pra você entender que eu sou normal, homem, ser humano e que não pedi para o gênio da lâmpada me “presentar” com isso.

Mas posso afirmar a você o seguinte. Antes do diabetes, eu não tinha uma doença, mas estava doente.
Sabe aquele pensamento que você pode tudo, menos cuidar de sua saúde? Pois é, natural por parte de um homem enxergar que o médico está lá, que ele assim continue e só exista num estado de emergência e que seja acionado para você em último caso, quase que inconsciente.

Pensando assim nocauteei meu corpo, ignorei sinais e dispensei ajuda. Felizmente tive tempo de correr atrás do prejuízo, mas infelizmente, na maioria das vezes para as pessoas, isso se torna tarde demais.

Foi aí que tudo começou e a partir deste ponto, que resolvi colocar minha cara a público pra dividir com vocês todos os meus momentos, bons e ruins. Dizendo que sou um homem, com diabetes, mas que hoje, diferente de alguns anos atrás, não estou doente.

Você tem o pleno direito de não gostar da Bete e do furacão que ela causou em sua vida, mas o que você não pode é decidir ignorar e seguir em frente achando que nada mudou, pois cedo ou tarde isso sim pode gerar consequências ruins pra você.

As coisas mudaram na minha vida? Sim, mudaram e continuam se alterando. Minhas rotinas mudaram sem dúvidas, mas eu vou fazer o que? Chorar, gritar, não tomar insulina? Ah dona Bete, não será você que vai me matar!

Não quero que o diabetes se transforme no meu pesadelo diário, por isso não o rejeito, respeito e alimento a certeza que ele não pode ser maior que a minha vontade de viver e ser feliz.

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